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PRECISAMOS FALAR SOBRE A MINHA INFÂNCIA

 infancia

Texto publicado em Zero Hora é debatido com os alunos
Este texto, de Lisandra Pioner, publicado em ZERO HORA no dia 16 de abril de 2016, foi trabalhado e debatido nas aulas de Administrando a Vida, com os alunos do Colégio Ipiranga. Trata-se de uma carta fictícia, mas que poderia muito bem ter sido escrita por muitos adultos.

 


PRECISAMOS FALAR SOBRE A MINHA INFÂNCIA

PAI, MÃE, TENHO SOFRIDO UM POUCO. POR ISSO, ESCREVO A VOCÊS!

Pai, mãe, preciso falar sobre algumas coisas que tenho visto. Não ando muito satisfeito com o que observo por essas bandas, sabe? Por aqui, as coisas são bem mais frias do que eu pensava. Além disso, o tempo voa, e as pessoas são aceleradas como se fossem empurradas pela vida. Sequer se enxergam, só veem a si mesmas. Acho que eu também sou um pouco assim — ou muito.
Sabe, aqui as pessoas não perdoam meus deslizes, não.
Vocês lembram das vezes que eu não quis emprestar os brinquedos aos meus colegas, e vocês me entendiam? Aqui, ninguém entende quando quero tudo pra mim. Lembram dos temas que deixei de fazer e vocês, sempre compreensivos, enviavam bilhetes aos professores, dando uma desculpa qualquer para impedir que eles ficassem chateados ou anotassem a falha em seus cadernos? Então, por aqui, se falhei, não há desculpa.
Vocês lembram dos bilhetinhos que a chata da professora (lembram que era a forma "carinhosa" que a chamávamos quando insistia em nos incomodar? Era engraçado!) mandava? Sempre reclamando dos atrasos, das tarefas malfeitas, das brincadeiras que eu fazia na aula. Ela não entendia que eram brincadeiras? Como pode? Mas sabe que, por aqui, as pessoas também não têm muito senso de humor. Só não mandam bilhete para casa porque dizem que já estou crescidinho o bastante.
Mãe, tu lembra aquela vez em que eu briguei com meu colega, e tu foi até a casa dele me defender e o encheu de desaforos? Eu adorei ver a cara daquele paspalho apavorado! Sabe que, por aqui, ninguém me defende? E o pior é que eu não sei me defender sozinho. Sempre te tinha fazendo isso por mim, né? Sinto tua falta.
E pai, meu amigo, tenho a certeza de que lembrará daquela vez em que bebi um pouquinho e, por azar, acabei batendo num outro carro. O motorista queria que eu fosse punido, sendo que ele só teve um leve machucadinho na cabeça. Que ridículo! Que bom que tu estavas lá, pai. Foi a tua conversa com os agentes de trânsito que me salvaram de uma punição. Imagina! Todo mundo bebe e dirige e logo eu teria que ser punido. Que injustiça! Sabe, pai, infelizmente, as pessoas daqui não são tão legais como tu.
Pai. Mãe. Tenho sofrido um pouco. E por isso escrevo a vocês. Queria dizer que aqui, no Mundo Real, tudo é muito diferente do calor amoroso dos seus cuidados e sua proteção. Tenho medo, fico triste, sinto angústia, e não sei o que fazer com esses sentimentos todos, afinal, nunca havia sentido antes. Sinto falta de vocês me protegendo e me defendendo de tudo. Mas, às vezes, queria poder voltar no tempo e pedir a vocês que deixassem frustrar-me. Hoje sei que só assim teria aprendido a lidar com a realidade e, certamente, estaria sofrendo menos.
De qualquer forma, saiba que os amo e que não tê-los mais o tempo todo grudados em mim me faz vulnerável demais. Queria ter aprendido a lidar com isso.

Esta é uma carta fictícia, mas que poderia muito bem ter sido escrita por muitos adultos. Acredite, você não irá querer que ela seja endereçada a você um dia.


Jornalista: Lisandra Pioner
Fonte: Zero Hora (16/04/2016)
Link: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2016/04/lisandra-pioner-precisamos-falar-sobre-a-minha-infancia-5779106.html

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